Chegada dos Franceses

  Em 1551, o rei da França querendo estabelecer uma base no Atlântico sul, ordenou que seu almirante Nicolas Durand de Villegaignon, fundasse uma colônia que seria conhecida como França Antártica. Para isso deslocou uma pequena esquadra com seiscentos homens para se estabelecer no que seria depois conhecido como São Sebastião do Rio de Janeiro. Com os problemas criados pelos índios Tupinambás e com as revoltas calvinistas na França, o rei Frances não pode mandar uma esquadra de reforço que ele tanto necessitava, enviando apenas 300 homens e alguns padres Calvinistas em três caravelas. Quando chegaram ao Brasil, Villegaignon, indignado com a falta de reforço, embarcou para a França, deixando aqui apenas uma guarnição composta de soldados franceses, escoceses e uns poucos padres calvinistas sob o comando de Duguay Trouin.
   O rei de Portugal, Dom Sebastião, enviou o sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá, para expulsar a guarnição francesa do Rio de Janeiro.
   Na luta, em 1711, alguns franceses, que sob ordens de Villegaignon, tinham se casado com mulheres indígenas, fugiram para o interior para escapar dos homens de Estácio de Sá.
  Na procura por clima mais ameno e com a noticia de haver ouro, subiram a serra da Mantiqueira onde se estabeleceram no que é hoje o Arraial dos Franceses. Como cita a "Carta de Sesmaria" estabeleceu-se nas cabeceiras daquele ribeirão, um núcleo de estrangeiros, oriundo da França, vindo para a extração do ouro ali existente. Talvez estes franceses ali chegaram no começo do século XVIII, pois a referida "Carta de Sesmaria" de 1744 já faz referência às, "cachoeiras do Ribeirão do Francês". A presença daqueles estrangeiros e marcada pelo ribeirão e pelo povoado que receberam o nome deles: "Ribeirão dos Franceses" e "Povoado dos Franceses".
Dizem as lendas que o cemitério da localidade é calvinista devida à vinda desses primeiros colonizadores, no que é corroborado pelo fato de não haver igrejas do sec.XVIII no Arraial dos Franceses, pois os que vieram, eram protestantes Hugenotes ou Calvinistas, que não se reuniam em igrejas mas sim em suas casas.
  Presume-se que uma das famílias daquele núcleo seja a família "Arnaut", pois ainda hoje, muitos de seus membros possuem terras no local daquela antiga sesmaria.
  O Rei de Portugal D, João V em 03 de fevereiro de 1744 concedeu uma "Carta de Sesmaria" ao Capitão de Cavalaria Antônio Corrêa de Lacerda, que morava no Sertão da Freguesia Jaroaca (atual Aiuruoca), Comarca do Rio das Mortes (atual S.João Del Rey). Tal sesmaria compunha-se de três léguas e era composta de campos e matas que precisavam ser cultivadas e povoadas e iam desde as cabeceiras do atual Ribeirão dos Franceses até às paragens dos Três Irmãos e fazia pião no alto de um espigão em meio desses três morros. Tudo isto pode ser constatado pela autêntica "Carta de Sesmaria" que se encontra no "Arquivo Público Mineiro".